quarta-feira, 25 de março de 2009

Autoridades alertam para o desperdício de água

Deputados, autoridades municipais e representantes de órgãos ambientais e de universidades participaram de audiência pública da Comissão de Economia e Desenvolvimento Sustentável, presidida pelo deputado Heitor Schuch (PSB), na manhã desta quarta-feira (25), para discutir o Projeto de Lei 466/2007, do deputado Miki Breier (PSB). A proposta estabelece a obrigatoriedade de tratamento e reutilização da água usada na lavagem de veículos nos postos de combustíveis, lava-rápidos, transportadoras, empresas de ônibus urbanos e intermunicipais e empreendimentos que possuam frota veicular para fins de locação ou revenda instalados no Estado.
Com base em dados da ONU, o parlamentar lembrou que 1,2 bilhão de pessoas não têm água de qualidade para beber e 2,4 bilhões não possuem em suas residências saneamento adequado. "Todos sabemos que sem água ninguém vive, e há uma visão de que em pouco tempo as guerras no mundo não se darão mais por conta do petróleo ou de outras riquezas, mas da água", alertou.
Pesquisador apresenta projetoAutor de um trabalho sobre a reciclagem da água na lavagem de veículos, o engenheiro Rafael Zaneti, doutorando da Universidade Federal do Rio Grande do Sul (UFRGS), defendeu a viabilidade econômica do processo. Ele desenvolveu um sistema – denominado "floculação-flotação em coluna (FFC)" – que já vem sendo utilizado em uma empresa de transportes coletivos da região metropolitana de Porto Alegre. Segundo ele, pelo menos dez empresas no Brasil desenvolvem projetos similares. "Acreditamos na economia financeira decorrente da reciclagem de água e estamos estudando maneiras de baratear ainda mais o processo", disse. Conforme o engenheiro, o valor do equipamento é coberto em seis meses no caso de empresas de ônibus que o adotarem. Já em lavagens de carro de pequeno porte começa-se a ter retorno em cerca de três anos .
José Ronaldo Leite, do Sindicato do Comércio Varejista de Combustíveis (Sulpetro), que abrange 2,7 mil pequenos e médios empresários, declarou total simpatia ao projeto com relação ao aspecto ambiental, mas manifestou preocupação quanto ao aspecto econômico. "Será mais um custo a ser repassado aos consumidores", disse, lembrando que muitos postos de gasolina estão abandonando esse serviço ao mesmo tempo em que aumenta o número de lavagens clandestinas.

Fonte: Agência de notícias/Assembléia Legislativa do Rio Grande do Sul

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